Mas, tá muito bom!

Foi a frase que ouvi entre uma fala e outra durante um trajeto de táxi na Avenida Faria Lima.

Durante o trajeto de quase 15 minutos, num trânsito no horário do almoço, sob um sol escaldante, pude saber um pouco sobre a vida deste ser iluminado.

Iluminado sim, vou contar um pouco do que descobri neste percurso.

Ele acorda às 4:30 todos os dias e sai de casa às 4:45, não toma café, porque só vai sentir fome por volta das 06 da manhã, percorre a cidade levando e trazendo pessoas até o início da tarde, chega em casa lava uma roupinha aqui, faz uma coisinha pra comer ali, assiste um pouco de televisão; porque ninguém é de ferro; descansa e vai pra cama dormir por volta das 18:00

Ah! Dia sim, dia não, visita sua mulher numa casa de repouso na Rodovia Raposo Tavares, ela teve um derrame e ficou mais de 20 dias na UTI e depois de tantos orçamentos com enfermeiras, concluiu que o melhor seria que ela fosse cuidada por eles. Foi me fazendo as contas de quanto sairiam todas as despesas com enfermeira, convênio médico, despesas pessoais, alimentação, etc. realmente não seria viável, segundo ele.

Mas, tá muito bom!, dizia ele novamente.

Casado há 62 anos, sem filhos, somente ele e a esposa. Vinha me contando sua história e não porque estivesse desabafando, não. Eu, que muito curiosa, ia perguntando e, ele muito simpático e cheio de vida, transbordando disposição, ia me respondendo. Claro, que tudo isto dentro de um corpo já curvado, com cabelos brancos e ralos, num carro muito simples, sem ar condicionado, porque a troca da borracha custaria R$ 250,00 e não valeria a pena pagar, até porque ele irá trocá-lo logo!!!

Ah, sim, o Sr. Roberto tem 80 anos e sua esposa 84 anos.

Quanta lucidez, quanta simplicidade e quanto vigor!

Lucidez, não procurei o conceito, mas arriscarei expor o meu. Lucidez é o olhar limpo, sem contaminação, sem nada que possa atrapalhar a visão e te tirar do foco do que realmente vale a pena. É o ser humano no seu estado natural, na sua essência.

Dia destes encontrei um conhecido; que normalmente está estressado; num estado de lucidez e sabem por quê? Tinha passado por um momento tão difícil, um xeque mate da vida, que ele precisou buscar o equilíbrio, parar e pensar se realmente valia se estressar e nestes dois dias de lucidez ninguém o reconheceu, nestes 2 dias de lucidez ele mostrou sua verdadeira essência e no restante de todos os dias de sua vida, ele não tem sido ele mesma, tem sido alguém que segue conforme o vento sopra, se o dia está ruim eu estarei péssimo, se o dia estiver bom, estarei bem!

Então, só resta dizer que as escolhas são feitas por nós, eu decido como quero me sentir diante das circunstâncias, diante da minha lente, se a minha lente estiver limpa estarei lúcido.

Sugiro que façamos todos os dias ao levantar, a limpeza de nossos óculos, de nossas lentes e de nossos olhos para estarmos preparados o dia todo para sermos nós mesmos, na nossa essência e assim com certeza, poderemos enxergar um mundo melhor e poderemos então dizer:

“Mas tá muito bom !”

Ana Vasconcelos
Coach de Vida e Carreira, Psicóloga, Orientadora Vocacional e Consultora de RH

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